É no largo do silêncio noturno que recordo-me daquela moça que caminhava ao tardio poente, onde o céu era uma aquarela e as cores rodopiavam como bailarinas... Eu sei, tenho certeza, consegui ver... Ela pensava na suas longas pernas, nos seus lábios secos e como deveria estar seu rosto, tão fadigado. Envergada na sua coragem.. Seu destino beirava do descaso à vadiagem, parecia não ouvir o barulho lhe era imperceptível e comum, a sandália chiava ao atritar com as pedrinhas da calçada... Sua mão moveu-se com quem queria pegar uma caneta e escrever algum pensamento fugaz e particular que vinha a sua mente. Parecia ter um breve momento de alegria, uma dúvida ou um possível sorriso... tudo meio dual, pois ela ao mesmo tempo mostrava que queria sofrer, que gostava de sangrar no seu silêncio e chorava por dentro. No fundo ela mostrava o quanto sofria angustiada...Os outros que a tinham em volta mostravam não compreendê-la, só perguntava o que ela sentia, como ela estava e muitas outras perguntas que me esqueci de decorar pois a única coisa que gravei na minha mente foi o rosto dela sem saber o que responder.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Pensando longe...
Já não sei o que sinto, nem mesmo se existo. Estou perdida numa inércia sentimental, até existencial, acredito. Até quando começo fazer algo, não as termino. Tudo estar por ficar em meias palavras, advindas de algum lugar obscuro de minh'alma, soltas, sem nexos, perdidas. Nem consigo chorar, o que ao meu entender é um dos últimos estágios da petrificação humana.
Indiferença!
Sim. É neste caminho que estou vivendo, acomodada na minha bolha de vidro.
O que faço?
Bem, há muitos diversas opções, mas por algum motivo não vejo razão para segui-las, como um cãozinho abanando o rabinho.
Acredito na existência de um fator, seja ele um sentimento, evento, até um outro ser humano, que irá me modificar. E nessa esperança é que me apego para continuar perpetuando no meu marasmo. Reconheço que é como deixar passar as coisas boas sem aproveitá-las, mas sinto que não é o momento certo. Só isso. Sei que tenho de fazer, com todas as letras e expressões, mas acredito que há seus momentos devidos e acertivos, sem que combine com o horário biológico e psicológico dos demais.
Hei! Sou eu, não a maioria.
É como uma questão de visualização do plano e justificação de utilizá-lo. Estranho....
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Por algumas horas já passadas...
Pois de louca querela mental
Que absorve meu ser
E reflete em te ter
De olhos consumistas
Bocas vazias
Criatura faminta
Lá ei de me lançar
Por entre outros tantos
Na angustia da chegada
Ao meu destino finito
De cada início vespertino
Por assim estou...
Tradução: Quanto a pessoa está com fome, voltando para sua residência, após a aula da faculdade, num sol de rachar o quengo... Tem de ocupar a mente senão...
domingo, 29 de maio de 2011
A Porta
Estava frente à porta, pressionou o dedo na campainha e aguardou. Era o protocolo oficial da maioria das pessoas que queriam entrar num prédio, casa, seja edifício que for. Não conhecia nenhum outro protocolo emergencial para adentrar lá, retificando... Reconhecia que existia um, mas era ilegal e não queria correr o risco de falhar por tão pouco.
A edificação não tinha outra porta, nem janelas, apenas um gigante muro branco, a porta que o dividia e duas pilastras que adornavam a porta, o que lhe conferia, numa olhada superficial, um aspecto frio e imponente, quase que inalcançável, se não fosse a pela existência da porta.
Já começou a sentir a impaciência brotando pelas pernas, apoiou-se num pé e estabilizou com outro. Apurou a vista, através da porta, procurando se vinha alguém, mas não teve êxito. Os ladrilhos da porta eram fumê, só conseguia ver seus olhos espelhados.
Quanto o tempo havia passado? Dez minutos? Muito... Consultou o relógio e por cálculos rápidos concluiu que foram dois... E meio, para ser mais exato. Não lembrava se havia protocolo para intervalos de tocar a campainha. Então tocou novamente e aguardou.
Estava entrando em pânico, tinha um propósito para está ali, atrás daquela porta, tinha um sonho para realizar e tudo dependia, no momento, da porta ser aberta. Conseguia sentir o peso do olhar das pessoas, o que lhe causou um pequeno incomodo, virou-se e encarou alguma pessoa que passava pela rua. Não conseguia ver sua face, parecia desfigurada, translúcido igual aos ladrilhos da porta, a única coisa que lhe restava seriam os olhos desse desconhecido ou dessa desconhecida o encarando. Achou que estava zombando, com esse olhar tão desdenhante. Sentiu vontade de gritar: Ei! Estou aqui por meu sonho. Mas quando puxou ar,para fazê-lo, os olhos já haviam partido, cruzado a rua, sumindo da sua vista.
Voltou-se novamente para a porta e suspirou, uma centelha de desistência nasceu na sua mente, mas para certificar-se, dedou a campainha mais insistente do que da última vez. Esperou... E só ouviu um silêncio sepulcral, maior que da última vez. Talvez todos tivessem saído para almoçar, mas não passava da nove e meia. Ou melhor, todos foram tomar um café numa sala com isolamento acústico.
Assustou com um carro barulhento que passava por ali, quando voltou a atenção para a porta, teve a sensação de ouvir um barulho dentro do prédio, um “clic”, talvez, não tinha certeza. Encarou a porta e aproximou-se como um médico para auscultar o paciente doente. Como a superfície era fria, fidedigna à lâmina de metal. Com a orelha colada, num dos ladrilhos de vidro da porta, apurou a audição e buscou pelo mesmo som que supostamente havia ouvido. Esperou, porém, a porta continuava com seu voto de silêncio, desistiu de osculá-la e voltou à posição inicial. Tinha de haver algo de errado, para ninguém não se manifestar e agora com sua natureza curiosa atiçada, iria arranjar uma forma de descobrir.
Fixou os pés como se fosse um guerreiro, esvaziou sua mente de possibilidades remotas da maldita porta não abrir, se não iria acabar por enlouquecer criando diversas hipóteses. Iria abrir aquela porta que qualquer modo, claro que com ressalvas, sem violências ou barbáries. Era uma pessoa do século vinte e um, tecnicamente civilizada ou tecnologicamente, seria o termo melhor, onde não se tinha mais de utilizar da tecnologia rudimentar. Apertou a campainha e para garantir fechou o punho, inclinou-o e deu uma batida na porta, nem tão firme, mas num nível escutável. Torceu as mãos nervosamente como se fossem a maçaneta dourada, toda esculpida e trabalhada que adornava um dos lados da porta, ela conferindo-lhe um ar mais aristocrático.
Iria aguarda novamente, afinal, o que seriam mais alguns minutos? Tudo aquilo poderia ser paranóia da sua cabeça. Era muito absurdo para muita realidade e tinha plena convicção da funcionalidade das suas faculdades mentais. Chegara de tão longe para está ali. Perdeu a infância, para o trabalho, depois a família toda, para as doenças e a fome. Agora não podia perder a única coisa que o ligava a sua existência, seu sonho. Tinha de mostrá-lo para aqueles que saberiam apreciá-lo e sabia que por trás daquela porta estavam essas pessoas. Por vezes, cometeu o grande erro de falar do seu sonho para outros, estes, riam, debochavam, zombavam com dito escárnio. Por isso, começou a agir com esperteza e sutileza, ocultou seu tão querido sonho, no mais fundo que sua mente poderia alcançar. Assim, desenvolveu o dom de saber quais pessoas eram confiáveis ou não.
Despertando do devaneio, olhou para a porta, será que alguém havia se manifestado e não tinha ouvido por estar divagando? Não, nada havia mudado. Desesperou-se, o ar começou a faltar o peito e descontroladamente apertou a campainha intermediando com socos na porta, gritou, chamou, sacolejou a maçaneta, chutou uma das pilastras e por fim socou a porta com as duas mãos. Por um átimo parou, a fim de não perdeu o controle total ou definitivamente sua sanidade. Congelou-se numa expectativa e agonizante. Esperava doentiamente por um barulho como resposta, ainda tinha esperança que a porta iria abrir, tinha de ser feito, pelo seu sonho, por sua existência, aceitava qualquer manifestação.
No entanto, acabou por se frustrar novamente. Toda a resposta que conseguiu tirar da porta foi um silêncio humilhante, cruel e sádico. Não entendia como um simples pedaço de madeira, que um dia havia sido uma flexível e juvenil árvore poderia tornar-se algo tão rígido, mesquinho e soberbo, que finalmente barrou toda a sua existência. Era o fim. Deslizando, deixou-se sentar no degrau de qualquer jeito, elevou a cabeça e olhou para o céu, contrastante, azul e tranquilamente bonito. Era muito sol para um dia daqueles, onde sonhos estavam sendo destruídos. Não tinha motivos para ser forte.
Duas lágrimas grossas escorreram para seu rosto, sentiu uma liberdade explodindo no peito que não podia contê-la com as mãos, ela ia brotando, junto de mais lágrimas, fugindo e escapando. Só deu conta do que aconteceu quando a lágrima fugiu do rosto caindo pesadamente no chão.
Finalmente conseguira chorar, depois de tantos anos, já não se preocupava com as pessoas passando, muito menos com o que elas pensavam ou olhavam. Não conseguira alcançar sua meta, no entanto, conseguira finalmente se libertar do peso que carregava nas costas, nas dores que sentiu e guardou de recordação através das marcas.
Mas ainda tinha uma dúvida que lhe corroia. Como não havia de um único ser vivo dentro daquele prédio? Parecia uma caixa de Pandora, uma lâmpada com a saída do gênio entupida, uma charada intrigante e enfeitiçada. Já não sentia mais as lágrimas caírem e quando o sangue esfriou, finalmente sentiu a derrota pesou nos ombros. Enxugou o rosto ainda molhado pelas lágrimas, tendo a mão amiga da desistência sendo-lhe estendida, não tinha mais o que fazer e agarrou-a, levantando, mesmo assim ainda cambaleou.
Tinha de sair dali, não havia mais o que fazer. Ganhara poucos segundos de liberdade e perdera toda sua vida junto do tão precioso sonho. Sacudiu a poeira que grudava no tecido da calça. Numa última olhada para a porta, àquela casmurra, reparou em algo novo, um pequeno detalhe, uma placa que praticamente camuflava junto a parede do prédio, nela, havia escrito: Só abrimos às 13 horas.
RafaCarol
18 de maio de 2011.
sábado, 28 de maio de 2011
Convivência
Para quem é um ser, enquadrado em tais características: Pensa, logo existe; Não pensa, mas infelizmente existe; Ou simplesmente pratica um conceito de quem vive/resiste em grupo; Lá se vai uma grande arte, diria até habilidade que se tem de desenvolver constantemente:
A CONVIVÊNCIA!
Sim, em todos os lugares estamos inseridos num grupo, querendo ou não. É fixo. Você pode ser o maior bicho do mato, trancafiado numa masmorra, mas vai acabar por conviver com alguém, nem que seja consigo mesmo.
No meu caso, bem, tenho minha família primária, secundária e por ai vai (a lista é longa...); tem meus amigos, conhecidos e afins; e por uma categoria delicada... OS VIZINHOS.
Sim estes seres que nos olham como se estivéssemos com caganeira de cinco dias, quando nos dão bom dia. Ou aqueles tantos que desfia um rosário contando sua vida e desgraças, como numa consulta de psicólogo gratuita. Ou muitos que são piores que um cruzamento Sônia Abraão e Nelson Rubens de tão fofoqueiros (tô vendo maior galera concordando comigo agora...). Ou outros tão raros, mas gente boa que chegam ao patamar de amizade.
O fato que vizinho é pior que menino chantagista, trocador de topic e vendedor de canetinha, papel, plástico e dois grampos( tudo junto por DUAS PILAS! Budega cara da conta) do Manasés.
E para provar que vizinho é: “coisa do CAPETAAAAAA!” Vou descrever o perfil psicológico das pessoas que me cercam. Aqui... AGORA!
Onde eu moro é uma espécie de condomínio, uma vila, mas privatizada e fechada. São casas conjugadas (para leigos, uma grudada na outra, sem espaço, muro ou divisória), sem sindico, constituição e principalmente LEI! E nessas ditas casas moram umas figuras muito loucas, sem noção da sua existência ou rudemente, porque tá viva. Bem lá vai:
Vizinho 1 – Chegou meio que agregada, o que já é um status de preocupação (É válido lembrar que agregado significa perigo! Pois logo que fica muito à vontade, ai... Já foi). Mas que captou no ar por Bluetooth tudo que se passa com as pessoas daqui de dentro, esta espécie da conta de quem entra e sai só por um simples olhar na fresta da janela. Meio que porteira, saca? Pior que as câmeras do BBB. Não deixa escapar nada.
Vizinho 2 – Sabe aquele casal que tem seu filhinho. Sim, esse filhinho é metido à baterista. HÁ! Saca que o guri SÓ BATUCA! SÉRIO! Sem putaria nenhuma. E fizeram a caridade de DAR BAQUETAS! (Pausa para muitos, muitos palavrões!) Aliás, o guri quando não batuca tá chorando. Ele não come, dorme ou se quer brinca, o que é normal de qualquer pivete de sei lá, três anos, quebrar brinquedos ganhos com menos de cinco minutos, pichar as paredes da casa com giz de cera, ficar no vai e vem com um carrinho. Sério! Ele batuca no chão e chora! E quando chora, parece uma sirene de colégio. MERMÃO... (Vamos pro próximo... Tô muito indignada!)
Vizinho 3 – Essa pessoa eu utilizei métodos criativos. Hahaha... A vizinha fumante. A Maria fumaça, mano, este ser... Eu tenho certeza, já fumou quinze cigarros simultâneos, tenho certeza, ela tem a capacidade que produzir a cota de fumaça do Uzbequistão. E o detalhe para eu ter o ódio mais profundo de minha alma por essa pessoa: Eu tenho asma. Gente, é uma matemática lógica:
Cigarro( seja o melhor, do recebimento de salário, ao vagabundíssimo, de fim de mês)
+Fumaça
+ pessoa asmática
= falta de ar( da pessoa asmática)
Para quem não entendeu: EU TENHO PO$A DE ASMA!!!! Eu fico sem respirar e tudo mundo sabe que ninguém, nenhum ser humano consegue viver sem respirar. Ainda não conseguimos a chegar a esse patamar da evolução. Então... Quando a Maria fumaça começava os trabalhos... Fui pior que o Inspetor Bugiganga. (mas não vou falar muito sobre a Maria fumaça, futuramente irei dedicar um post SOMENTE A ELA! (Aguardem)
Vizinho 4 – Esse é uma espécie comum. Comum de se ver em qualquer prédio de construção ou prédio privado. Vizinho vigia. Se eu disser que essa pessoa faz a ronda quando ocorre algum barulho diferente do anormal e se for normal, não custa nada conferir.
Vizinho 5 – Essa é inesquecível. Hitler não foi tão genial quanto essa mulher. Sabe quando a pessoa tem a capacidade de lhe causar: Ódio, pena, indignação, compaixão, vontade de estapear... Numa sequência insana e psicologicamente anormal. Este ser tem de ser estudado pela NASA. Sério.
Vizinho 6 – Vizinho DJ. Esse é entendido de música e quer por que quer que você escute por horas a fio sua playlist tããããããoooooo seleta. Logo aquelas músicas que você é mais fã... (Explicitamente para quem não entendeu a frase anterior: ISSO FOI UMA IRONIA!)
Vizinho 7 – Gente. Eu acredito que tem muita pessoa doida no mundo. Sérião! Mas tem também muita pessoa metida à artista no mundo, que pior ainda. Exemplo internacional: Rebecca Black; Nacional: Meu vizinho que toca SAXOFONE! . De início, na primeira “sinfonia” dele, achei que o Kenny G tinha se mudado pra cá e tava muito doente (com uma das minhas crises asmáticas, ou numa doença terminal bem desgraçadas) e estava gravando uma nova música, gênero: Marcha fúnebre, pra tocar no seu enterro, afinal ele tava morrendo.
CARA! O DOIDO DO VIZINHO CONSEGUIU TANSFORMAR O SOM MELÓDICO E SEDUTOR DO SAXOFONE NUM TROMBONE FÚNEBRE!
Vai tomar cinco litros de coca-cola com querosene. Se os torturadores estiverem cansados dos métodos senis de tortura física, saiba que meu vizinho criou um método que qualquer pessoa diz a culpa é sua pela crucificação de Cristo, pelo Holocausto, pelas demais mazelas do Mundo e pela ideia de tirar a comida dos africanos.
Sério. Esses meus Vizinhos são uns presentes de grego dos mais sacanas. E infelizmente temos de sobreviver com esses tipos na “arte da convivência”, que para mim tem mais semelhança com um:
MINHA opinião é hegemônica e o resto que seja muído pelo MEU rolo compressor "duca". HÁ-HÁ.
Hoje, o que vale é a única opinião, o EU! Não há mais respeito, muito menos um único pensamento de como o nosso próximo pode se sentir a partir de uma ação na qual estou praticando.
CORTESIA! MEUS CAROS! CORTESIA!
(Não essa palavra não fica apenas no patamar de ingressos fáceis e festa 0800).
É só o meu umbigo, só o que quero, só minha vontade tem de imperar e o resto que se exploda!
Isso, se você é assim... Continue, seu trouxa! Afinal quem nasce trouxa tem que morrer da mesma forma.
E aos que querem ou minimamente pensam em evoluir vai uma sugestão:
Respeite o próximo, pois este próximo pode ser você amanhã.
Escrito em 06 de maio de 2011.
E só pra reforçar a opinião dá uma bizoiada:
Até
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Faz um tempo que não posto... Bem, isso se dá pela put* falta de cara de pau.
Mas estamos ai. um textinho antigo, coisas de resgate. Deliciem-se.
Mas estamos ai. um textinho antigo, coisas de resgate. Deliciem-se.
Tarde laranja
Era ela e a mãe, ora uma espirrava, ora a outra revidava... Uma cutucava o nariz, a outra resmungava. E lá se vinha outra sessão de espirros. Em comum acordo falavam da parenta em estado obeso, a moça apesar de ser bonita, ter os olhos azuis, cabelos longos, loiros, viscosos e a pele morena. Não se merece a ordem, mas seu conjunto ordenado ou não de beleza. Ah, como era formosa! Mesmo assim estava gorda, muito de cara redonda, quase sem pescoço. E tão jovem! Pobre coitada, tão gorda!
Era uma pena, lamentou, e outro espirro interrompia os pensamentos, numa tarde comum, laranja e bucólica, só ouviam-se poucos ruídos desconhecidos, fungados puxados e outro espirro.
Ela estava cansada de tudo, revoltou-se, dos padrões de beleza, da gordura da parenta, do fungado, do marasmo daquela tarde de excitante leitura e por que não de outro espirro que teimava em se materializar...
E lá se vinha o espirro, safadinho! Esse conseguiu escapar. Olhou-se brevemente e concluiu: era a única de beleza comum, em relação às três parentas, era a mais nova e a mais comum. Fatorialmente proporcional.
Quando criança, sentia-se como a faz tudo, o robozinho que as outras duas parentas podiam manipular e rir quando a primeira fazia alguma besteira. Hoje, a mais velha estava obesa, a do meio não tinha notícias, mas a vira por fotos e sabia que continuava com uma beleza estonteante, envolvente e capituliana, concerteza podia ter todos aos seus pés, bastava querer. E ela? Tinha suas dúvidas, não sabia o que era, nem para onde iria, mal tinha certeza de que suas palavras seriam compreendidas e ainda era refém de um manifesto biológico de expulsão de algo que incomodava seu organismo... A mãe já partiu a algum punhado de tempo levando seus espirros maternos para longe. Ela estava só, com sua tarde laranja, com gosto de quentura, com sua beleza comum e com mais outro espirro que se anistiava para longe dela...
Té mais...
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Entre as coisas: A passagem do probatório ao batismo piscinianiano.
Geralmente, toda fase de semifinal de um ciclo, um jogo, uma etapa, uma série (tanta de TV quanto de Escola) é o momento onde o ser (que vivencia tal situação) é mais testado e provado, para captar sua força, equilíbrio e capacidade diante de tal momento (Viva os guerreiros orientais... Guerreiro Shaolin!!! Uhúúúúúú!).
Acredito que todo esse processo, esse ápice probatório é válido, pois seria como um critério de merecimento, se o tal indivíduo possui o devido merecimento da colheita aos louros...
Bem, muitoooooo beeeeemmmm...
Atrevo-me, senão, ouso a desenrolar todo esse encadeamento de pensamento, uma espécie de amaciamento filosófico... Para dizer que nos últimos tempos, estou a vivenciar empiricamente (Por que não, utilizar um pouco do vocabulário acadêmico? ^^D) esse processo.
Digo, ou melhor.... Escrevo que o primeiro semestre é um intenso momento probatório, principalmente, sua reta final... UFA! Afirmo esse pensamento com tanta propriedade, visto pela minha própria turma... Éramos cinqüenta e tantos bichos. Ávidos por conhecimento, temerosos pelos trotes e curiosos aos rostos até então eternizados pelas fotos dos Orkut’s e Messenger’s da vida a fora.
Hoje, faltando basicamente uma semana para as férias, somos cerca de trinta e poucos “Guerreiros Shaolins”, cujo sobreviveram a seminários, provas, fichamentos (tenso...), discussões fundamentalistas e acirradas e por que não a busca epistemológico do méééééétodo...
Enfim... Como diz meu povo, fiz esse “arrudeio” todo (licença poética, básica...). Para retratar o quanto é bom o sentimento de findar esse ápice probatório, o quanto é bom a etapa do desespero do sofrimento, é como uma pá de gente diz... “Só se aprende sofrendo”, mesmo parecendo uma frase masoquista... Afinal, do que seria a vida sem pelo menos aprender?
Desse sofrimento que se tira uma pá de coisinhas que não se esquece, não só coisinhas, também, sensações, sentimentos, pessoinhas e, acentuo como principal os objetos...
Sim, sim, pessoinhas que surgem para auxiliar e atrapalhar... Mas no momento, não vou citá-los... Irei me reter a um item imprescindível, no qual me auxiliou para fazer algo de útil nessas últimas e longas madrugadas chuvosas...
Minha querida caneca... Que armazenou o café quentinho para me manter lúcida e pensante frente minha produção, que aplacou minha sede, que me acalentou em momentos de desespero, trazendo um chazinho (uma das minhas melhores paixões gastronômicas)... Que me acordava armazenando parte do meu desjejum matinal.
Sei, é um ponto de vista micro/minimalista. Mas do que seria de nozes, seres pensantes (Como diria Descartes: “Penso, logo existo”) se não tivemos esses momentos microscópicos? Concordo que é meio louco ter essa perspectiva diante da vastidão universal que é a mente... Mas também rebato que são nos detalhes que se ressaltam possíveis sucessos, dos intentos e inerentes ápices probatórios nos quais o primeiro semestre e a vida, em si nos oferecem...
Lorotando...
A expressão: “Aaaah cavala batizada” já foi expelida pela minha boca diversas vezes e num belo átimo de intensa concentração me veio à construção visual da expressão...
Deixando de delongas e coisificações,
da Rafa.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Hei...
Estranho o fato de sempre ter um bloquinho e caneta a mão e anotar desvairadamente...
Estranho, mais ainda, compartilhar minhas anotações...
Estranho e pq não contraditório...
Querer me expor justamente, quando eu mais buscava me esconder, na comodidade de viver...
Aqui?
Bobagens, infinitos,públicos, particulares...
O que meu humor ou "tripla dosagem de complicação que Deus me presenteou" servir...
num banquete de alta Cultural(coitada...) e pq não de pura e límpida Cultura INÚTIL...
Simplesmente,
Da rafa.
Estranho, mais ainda, compartilhar minhas anotações...
Estranho e pq não contraditório...
Querer me expor justamente, quando eu mais buscava me esconder, na comodidade de viver...
Aqui?
Bobagens, infinitos,públicos, particulares...
O que meu humor ou "tripla dosagem de complicação que Deus me presenteou" servir...
num banquete de alta Cultural(coitada...) e pq não de pura e límpida Cultura INÚTIL...
Simplesmente,
Da rafa.
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